domingo, 26 de junho de 2011

Escrevi esse texto há um ano atrás. Eu tava aqui pensando em tudo o que é amado por mim hoje, lembrei do texto e resolvi trazê-lo de volta. Eu poderia incluir algumas outras coisas, mas gosto dessa essência, dessa simplicidade. É bom ver que não mudei tanto assim, é bom ver que muito do que eu era, eu ainda sou. Eu só preciso me lembrar as vezes...


ouvindo cold play - in my place
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Coisas que eu amo

Amo olhar as pessoas sorrindo e o jeito que o semblante muda conforme a alegria transborda.
Amo quando uma pessoa tenta se manter séria, mas não consegue...
Amo piadas sem graça, amo a cara de sem graça da pessoa quando contou uma piada e ninguém riu...
Amo quando tentam me fazer rir...

Amo olhar pessoas falando, gesticulando.
..
Amo olhar pessoas quando elas não estão olhando, amo quando ficam sem graça quando percebem que as observo.


Parece estranho, mas gosto de ver uma pessoa com vergonha quando percebe que cometeu uma gafe, a pessoa fica tão... tão ela mesma; e acho bonito quando pedem desculpa.
Amo quando ficam com medo de eu não ter gostado do presente.
Amo quando dou um toque e retornam no mesmo instante, quando desligo na cara mas ainda assim ligam de volta.
Amo quando me oferecem uma música e pedem para eu prestar atenção na letra; quando ficam com raiva enquanto eu finjo que não estou ouvindo.
Quando alguém diz que me ama, amo ver a cara de ansiedade da pessoa em ouvir um 'eu te amo' de volta.

Amo reconhecer o som dos instrumentos nas músicas, de reconhecer o som do piano, do violão, da guitarra... "Será que essa parte é um violino?" Gosto de prestar atenção na segunda voz, não gosto quando dizem que não fazem diferença.
Amo ouvir o barulho que as coisas fazem, gosto do barulhinho que a tv faz quando é desligada, da porta quando abre, do barulho da chuva, do estalar dos dedos, o barulho do ventilador me dá um sooono...

Eu gosto de ouvir pessoas chegando, mas não gosto do barulho da campainha, prefiro ouvir baterem na porta, ou então que batam palma, "ô de casa"... tão humano.


Amo quando meu cachorro e meus gatos me encaram, quando ficam felizes quando eu chego mas depois de algum tempo não dão a mínima e nem percebem que estou ali.
Por íncrivel que pareça, amo quando me acordam e perguntam se eu estava dormindo.


Eu amo tudo o que é espontâneo.
Amo quando as pessoas são elas mesmas e não se dão conta disso.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011




Não é fácil. Mas tem dias em que tudo o que você quer é ser entendida, só isso. Eu nem acho que é pedir muito. Ser entendida, simples assim. Sabe você falar uma coisa e o seu interlocutor ouvir e entender, entender e aceitar? Sim, aceitar já que é uma decisão sua.
Mas parece que a única explicação plausível é que existe um objeto não identificado e invisível que faz com que as pessoas simplesmente não entendam. E existe dois lugares aonde esse objeto não identificado se instala: na frente da boca de quem fala, e na frente do ouvido de quem escuta. Esse objeto atua como um tradutor instantâneo que traduz em línguas desconhecidas e que por isso fica todo mundo sem entender nada, esse objeto serve unicamente para confundir.

Daí cada um vai prum lado, a pessoa que passou horas falando se pergunta: será se fui clara? E a pessoa que passou horas ouvindo se pergunta: o que será que ela quis dizer?

E pra completar, eu aposto que quem tá lendo isso também não ta entendendo nada porque é bem provável que o bendito objeto invisível não identificado que serve pra confundir se instalou nos olhos de quem ta lendo. Aí fica tudo assim, ninguém entende nada. Grande m&$#@

sexta-feira, 10 de junho de 2011

capítulo xx

Mas aconteceu que o príncipezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu enfim uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens.

- Bom dia, disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

- Bom dia! - Disseram as rosas.

O príncipezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.

- Quem é? - Perguntou ele estupefato.

- Somos rosa. - Disseram as rosas.

- Ah! - Exclamou o príncipezinho...

E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!

"Ela haveria de ficar bem vermelha - pensou ele - se visse isto... Começaria a tossir, fingiria morrer, para escapar ao ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade... ".

Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande...". E, deitado na relva, ele chorou.