sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

escrotice natalina

Daí que tem gente que faz questão de ser um baita filho da p#$@ o ano inteiro, e quando chega no final do ano dá uma de desentendido eu-sou-o-cara-melhor-ainda-nessa-época, e vem com a maior cara limpa do mundo cuspindo veneno disfarçado de palavras bonitinhas de natal.
Quê ? Pra cima de mim?


Não nenem, eu tenho a minha dignidade, e os meus desafetos eu faço questão de manter até mesmo no natal. Desculpa, eu não sou santa, muito menos falsa.


Quem sabe outra hora, tá?


Beijos!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Manuel (o de Barros) - eterno gosto de infância

"Eu não obedeço ordem, obedeço à desordem"


Brincadeiras
.
"No quintal, a gente gostava de brincar com palavras
mais do que de bicicleta.
Principalmente porque ninguém possuía bicicleta.
A gente brincava de palavras descomparadas.
Tipo assim:

o céu tem três letras,

o sol tem três letras,

o inseto é maior.
O que parecia um despropósito

para nós não era despropósito.
Porque o nosso inseto tem seis letras,
e o sol só tem três,
logo o inseto é maior. (Aqui entrava a lógica?)
Meu irmão, que era estudado, falou: "Que lógica que nada, isso é um sofisma".
A gente boiou no sofisma

Ele disse que sofisma é risco n'água.
Entendemos tudo.

Depois Cipriano falou:

"Mais alto que eu, só Deus e os passarinhos".
A dúvida era saber se Deus também avoava

ou se ele está em toda parte como a mãe ensinava.

Cipriano era um indiozinho guató que aparecia no quintal, nosso amigo.

Ele obedecia à desordem.
Nisso apareceu meu avô.

Ele estava diferente e até jovial.

Contou-nos que tinha trocado o Ocaso dele por duas andorinhas.

A gente ficou admirado daquela troca.

Mas não chegamos a ver as andorinhas.

Outro dia a gente destapamos a cabeça de Cipriano.

Lá dentro só tinha árvore, árvore, árvore.
Nenhuma idéia sequer.

Falaram que ele tinha mais predominâncias vegetais do que platônicas.

Isso era"


Belezura, diz se não?

sábado, 18 de dezembro de 2010

sobre crachás de identificação...

Olá pessoas!!!

Olha eu aqui de novo.
É sempre bom vir aqui escrever um pouco, e principalmente encontrar alguns recadinhos na página de comentários. Essa semana foi difícil pra mim, não tenho andando bem de saúde, as vezes pensamos que ser jovem significa poder fazer tudo, comer e beber de tudo que vai ficar tudo bem, só que tem uma hora que o corpo reclama e é nessas horas que nos damos conta que NÃO, não somos de ferro e muito menos imortais. Pra completar, os dias no trabalho não tem sido dos melhores, uma coisa leva a outra né, mas vou pular essa parte, tem certas coisas e pessoas que de tão nojentas não valem a pena serem mencionadas. Quero dizer que já estou bem melhor e principalmente agradecer as ligações, é muito bom saber que somos queridos e saber quem são os bons e poucos amigos que temos ainda mais nessas horas em que ficamos tão sensíveis. Valeu mesmo, de coração

Por agora, quero partilhar com vocês dos pensamentos meio bobos que tive por esses dias...

No dia em que estive no hospital, deitada naquela cama, lembro que entre uma medicação e outra eu via pessoas que se aproximavam de mim, não lembro dos rostos, só dos crachás de identificação. Mesmo muito sonolenta eu conseguia ler: "fulano de sousa: enfermeiro" / "beltrana da silva: tec de enfermagem"...
Como num flash meus pensamentos voltaram uns dias antes quando eu estava numa dessas lojas de departamento da cidade, nas pessoas que se aproximam da gente usando crachá: " fulano de oliveira: vendedor / cicrano rodrigues: chefe de setor / maria beltrana: gerente...

Em quase todo lugar as pessoas usam, serve basicamente para te informar quem ela é, a função dela e o que ela pode fazer por você. Normalmente é uma pessoa que você vê apenas uma vez.
Não sei se eu sonhava ou se estava acordada (ou delirava), mas ali naquela cama comecei a pensar nas pessoas que aparecem na nossa vida sem dizer pra quê veio. Já pensou se essas pessoas usassem um crachá dando informações?

"Oi sou João* e quero ser seu amigo"
"Olá, sou José*, não quero nada com ninguém agora, mas gostei de você, vamos sair?
"Oi sou Maria*, vamos ser amigas por um tempo mas depois vou mostrar minhas garras e de alguma forma vou trair você!"
"Oi sou Joaquim*, vamos ser bons amigos de trabalho, mas só até um dos dois ser demitido, não leve a mal é que não rola manter amizade fora do círculo"
"Oi sou Pedro*, vou entrar na tua vida, vamos ter um amor eterno durante dois anos"
"Olá eu sou o Carlos* e só vou te ligar quando eu tiver precisando de dinheiro emprestado"
"Oi sou Ana*, vamos ser amigas e em todos os momentos que você precisar eu estarei aqui"

*nomes fictícios

Tem certas pessoas que entram na nossa vida que seria bom se tivesse um crachá, né? Eu sei que parece maior bobagem do mundo, mas passei maior tempão pensando nas pessoas que apareceram na minha vida e fiquei imaginando o que teria escrito nos "crachás" de cada uma.

Hoje, lembrando desses pensamentos (ou sonho, ou delírio) que tive no início da semana foi que me perguntei: "Vem cá, e o meu crachá, está escrito o quê? "
Caramba... eu faço parte da vida de muita gente, e mesmo se quisesse eu não poderia dizer aqui o que está escrito para cada uma, mas vou aproveitar a oportunidade pra dizer apenas prum certo alguém, que eu sei que uma hora ou outra vai dar uma passada por aqui, eu não lembro e não sei exatamente o que estava escrito lá no início quando tudo começou, mas posso falar de hoje, e hoje posso dizer está escrito algo mais ou menos assim:

"Oi, mesmo diante de toda essa incerteza eu estou aqui, e eu não sei exatamente no que essa nossa história vai dar, mas quero que você saiba que eu gostaria de tentar mesmo assim..."

E na foto eu estaria sorrindo, aquele riso meio bobo, assim de leve, provocado por uma tentativa bem sucedida de me fazer rir depois depois de uma piada bem ruinzinha, da qual eu não esqueço nunca e dou risadas quando lembro.

sábado, 11 de dezembro de 2010

uma passagem pra júpiter, por favor...

Sabe quando você não quer saber de nada? Quando tudo o que você quer é ficar em casa sem ver gente e fazer de conta que do lado de fora não tem mundo? Sabe aquela vontade de desligar o telefone, evaporar, não ter que dar satisfação; virar um mosquitinho e sumir do mapa?

Pois é.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sabe o dia em que você faz tudo, que chega no ponto em que você não sabe como ocupar as horas livres que ainda restam?
Eu me pergunto o que será que o pequeno príncipe faria...


¨¨¨¨¨¨

Capítulo XXIII

- Bom dia, disse o príncipezinho.

- Bom dia, disse o vendedor.

Era um vendedor de pílulas aperfeiçoadas que aplacavam a sede. Toma-se uma por semana e não é mais preciso beber.

- Por que vendes isso? - Perguntou o príncipezinho.

- É uma grande economia de tempo - disse o vendedor - Os peritos calcularam. A gente ganha cinquenta e três minutos por semana.

- E que se faz, então, com os cinquenta e três minutos?

- O que a gente quiser...

- Eu... - pensou o principezinho - se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, eu iria caminhando passo a passo, mãos no bolso, na direção de uma fonte...