sexta-feira, 5 de novembro de 2010

confissão II

Há alguns dias tenho sido questionada por alguns amigos do porquê de ter deixado algumas atividades na igreja. Cheguei a me sentir meio que pressionada, mas depois de um tempo essa conversa com meus amigos me serviu mais como um desabafo porque na verdade eu nunca tinha contado pra ninguém o verdadeiro motivo de eu ter me afastado da forma como me afastei. É sempre bom desabafar né? principalmente quando você não espera por isso, é como alguém tirar um peso das suas costas sem que você estivesse esperando.

A verdade meus amigos, é que eu tinha caído na rotina religiosa, o que para mim foi uma grande tragédia. Estava deixando de viver a plenitude do bem estar dos relacionamento com as pessoas, estava deixando de viver a minha paz espiritual para viver rotinas igrejeiras, era reunião atrás de reunião, rituais, burocracia, programações semanais, as vezes diárias... Tudo isso tava me corroendo por dentro, dando nos nervos mesmo, sabe? E se você falta em algum desses compromissos, é como se você já estivesse em falta com Deus porque é assim que as pessoas te olham. Sabe aquela perguntinha clássica? (tá perdendo a fé irmão?) Pois é.

Comecei a achar que estava surtando, sério mesmo.
Houve momentos em que eu estava dentro da igreja com o pensamento em outro lugar. Talvez você diga: ah isso nem é nada, acontece com todo mundo. Mas sabe o que é pensar em Deus só quando você chega na sua casa, sendo que você acabou de sair da casa dEle? Foi o momento em que vi que precisava dar um tempo, eu estava lá o tempo todo mas era como se as minhas ações estivesse sendo vazias, por mais que o objetivo de tais atividades fosse ajudar alguém. Mas e eu?
Sabe morte espiritual? Pois é, a pior de todas as mortes.

Eu precisava sair do meio daquilo tudo se eu quisesse reencontrar minha paz interior. Eu sei que é estranho, imagino que alguns dos meus amigos vão se decepcionar lendo isso, mas essa é a verdade. E por mais que eu tenha tentado reverter tudo, não adiantava.. comecei a ver que algumas atitudes não faziam sentido nenhum e isso ma dava um sentimento de culpa terrível.
Eu não queria que isso se tornasse visível para as outras pessoas, principalmente porque eu tinha um papel de destaque num grupo de adolescentes. Uma vez um deles disse assim pra mim: "É tão bonito quando você fala, é bom ver você falar." Olha gente, nessa noite eu não dormi, era como se tivesse uma voz questionando se eu estava vivendo tudo aquilo que eu falava.
Falei com meu pai a respeito, ele sempre tão sábio me respondeu da seguinte forma: "A boca fala do que o coração está cheio, não se preocupa com isso filha, isso que você tá passando muita gente já passou, eu ja passei, você não é a primeira e nem a última a se sentir assim; se você quiser dar um tempo da Igreja, dê. Mas não dê um tempo de Deus."
Bingo! Era tudo o que eu precisava ouvir.
Descobri que eu não estava com fastio de Deus, estava com fastio da igreja. Por Deus o que eu quero sentir é sede, fome, saudade... essas coisas que fazem com que a gente esteja sempre na busca.


Eu não deixei de ir na Igreja, mas deixei de ser uma pessoa igrejeira. Descobri que o que existe de melhor dentro da Igreja são as pessoas, e que quando quero me encontrar com Deus eu sei que não preciso ir muito longe.
E sempre lembro do que disse o Nazareno: "O Reino de Deus não vem como aparato exterior; nem se pode dizer: ei-lo aqui!, ei-lo acolá! O Reino de Deus está dentro de vós".


Confesso que fiquei bem melhor depois que aprendi isso, já faz mais de um ano que deixei a rotina religiosa, e agora quando vou na Igreja, não vou por obrigação, vou por vontade mesmo sabe? E olha gente, não há nada melhor viu.

2 opiniões importantes:

Zé Pelarau disse...

MEU DEUS!
Primeiro, ótimo post.
Segundo, impressionante como foi coisa de Deus fazer com que eu parasse aqui nesse seu blog. Também sou um cara igrejeiro e não aguento mais isso. Minhas dúvidas estão sendo as mesmas que as tuas. Me vi escrito no seu texto. Tal qual descrito. Nâo aguento mais carregar o farto das responsabilidades administrativas, das quais eu não compreendo o porquê de tanta burogracia, regras e tudo o mais. Penso que quando o Cristo voltar ele não vai escolher somente àqueles que seguiam regras e mais regras. Estou pensando em largar um pouco tudo isso. Mas exatamente como você fez, largar o prédio, a instituição e ir buscá-lo como sempre fiz. Estava mais que decidido já, só que com o seu texto as minhas dúvidas sumiram.

E é bem isso que você escreveu relembrando as palavras do Nazareno: "O Reino de Deus não vem como aparato exterior; nem se pode dizer: ei-lo aqui!, ei-lo acolá! O Reino de Deus está dentro de vós".

Um grande abraço do Pelarau

http://blogdopelarau.blogspot.com/

Fernando disse...

Adorei o post Deane... ^^

Entendo a igreja algo a parte de Deus há muito tempo... Bom saber que mais alguém pensa o mesmo.

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